DIA DOS PAIS

Pais militares que atuam na linha de frente do combate à COVID-19

Mesmo com o isolamento social, o importante é reforçar laços de afeto e criar maneiras de se fazer presente
Publicado: 09/08/2020 10:00
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Fonte: Agência Força Aérea, por Tenente Adauto Fraga
Edição: Agência Força Aérea, por Tenente Flávia - Revisão: Tenente-Coronel Santana

Uma data especial que não pode passar em branco, o Dia dos Pais ganha novos significados em tempo de Coronavírus. Entretanto, o fundamental é perceber que o afastamento social não é o mesmo que isolamento emocional. Sentimentos como o respeito, a admiração, o carinho e o amor incondicional parecem potencializados quando não se está por perto - se tornam ainda mais importantes e urgentes. Quando o beijo e o abraço apertado não podem fazer parte do presente, pais e filhos reinventam as formas para estar juntos, ainda que à distância.

Para o Chefe da Enfermaria da COVID-19 do Hospital Central da Aeronáutica (HCA), unidade subordinada ao Comando-Geral do Pessoal (COMGEP), Capitão Médico Fabio Basilio Fernandes dos Santos - pai do Enzo, de dez anos, e da Stny, de quatro -, a paternidade permite desenvolver o amor e a compreensão. “É a mais pura doação. É a percepção dos reais valores da vida. É uma grande obrigação e a mais bela alegria”, resume.

Segundo ele, antes era mais fácil para gerenciar o seu cotidiano. “É fundamental separarmos um tempo para eles, independentemente de qualquer outra questão. Se assim não for feito, corremos o risco de deixarmos a vida passar e de perdemos pequenos e preciosos momentos, os quais não mais voltarão”, pontua o Capitão.

Ele se recorda de uma aula para os médicos da emergência sobre os protocolos e fluxos para a COVID-19, quando fez as seguintes perguntas: Quantos aqui não abraçam mais os seus filhos? Quantos aqui tiveram que sair de suas casas? Dramaticamente, a imensa maioria levantou as mãos. “Eu mesmo não abraçava os meus filhos há quase dois meses. Nós, médicos, não poderíamos levar o vírus para dentro de nossas casas. Estávamos na linha de frente”, disse.

O Capitão lembra, ainda, que, em 3 de abril, data dos aniversários da sua filha e da sua mãe, não pôde tocá-las. “No entanto, dois dias depois, a minha mãe me pediu um abraço e, timidamente, eu a abracei. Não sabia, mas estava com o vírus da COVID-19. Graças a Deus, evoluímos bem frente aos sintomas da doença. O meu filho mais velho, com dez anos de idade, foi às lágrimas quando soube que o pai estava curado da COVID-19”, relembra.

Desafios da dupla jornada: pai e militar

O Sargento Alexandre Sylverio Lins também trabalha no setor de emergência do HCA. Ele afirmou que é desafiador atuar num grande hospital militar, com múltiplas funções, dando o melhor de si para proporcionar o bem-estar ao próximo, adaptando-se às individualidades em um ritmo acelerado.

Pai de Alexandre Junior, de 18 anos, e Lorena, de seis meses, ele afirma que a chegada de uma criança muda a vida: as prioridades, as necessidades e, claro, a rotina, que fica mais exaustiva. “Inevitavelmente, muitos aprendizados surgem dessa convivência especial, que traz inúmeros benefícios para ambos. A Lorena me mostrou que ela pode ser meu porto seguro e que eu preciso ser o porto seguro dela. Já aprendi muito nos últimos seis meses. O nascimento dela fez com que eu simplesmente enxergasse a ‘vida’ por trás da vida que levamos”, frisa o militar.

O militar também falou dos desafios de conciliar ser pai com os cuidados com a saúde. “Eu digo que gostaria muito que a pandemia não existisse, mas infelizmente, apesar de invisível, ela está em todos os lugares e pode entrar na nossa casa quando menos esperarmos, e lá encontrar nossos filhos”, explica.

Fotos: Arquivo Pessoal